criança com tablet

Qual é o impacto da infância na formação dos profissionais do futuro?

De acordo com a UNICEF, 31% da população mundial é composta por crianças ou adolescentes e isso pode alterar – e muito – as nossas formas de convívio. Se nas décadas passadas não tínhamos um número tão expressivo de crianças, era também, de alguma forma, um pouco mais fácil filtrar o que elas recebiam, bem como suas amizades, formas de se relacionar, dentre outras coisas.

Com este aumento, nossos filhos se tornaram parte importante de uma sociedade em constante crescimento. Com as tecnologias atuais conseguimos impactar diretamente às crianças e não os pais, por exemplo. Paralelo a isso, o desejo de delegar a criação destas crianças para aparelhos eletrônicos é deveras tentador.

Os jovens de hoje – a geração Z – acabam passando por 3 coisas principais que os fazem ser mais sensíveis à tecnologia e até mesmo aos principais males do século XXI: 

1 – Eles se tornaram vítimas do próprio privilégio, ou seja, possuem características únicas, que não foram concedidas a nenhuma outra geração antes desta, como terem nascido nativos digitais e com ampla facilidade de interação com outras pessoas, por exemplo. Mas, sem dosagem, algumas coisas acabaram se tornando um problema.

Para contextualizar, em 1990, quando estávamos tristes por não temos o mesmo tênis da moda que o colega de classe, procurávamos alguma outra coisa para fazer e logo tínhamos superado a sensação de tristeza com alguns arranhões no joelho depois de uma tarde brincando com o carrinho de rolimã.

Atualmente, quando um adolescente sente a mesma tristeza em relação ao tênis, ao entrar no Instagram, ele é impactado por muitas outras pessoas com o tênis que ele não tem, o que potencializa todo o sentimento negativo.

2.  Com todo este acesso à informações e pessoas que nem conhecemos, criamos o que é chamado de Síndrome do Esforço Invertido. E não, em nenhum momento isso passa pela questão de vibração positiva ou espiritualidade, é o simples fato de que quanto mais queremos alguma coisa, mais nos lembramos que não a temos – até que entramos em uma espécie de looping dos desejos que nos faz querer ter mais e mais desenfreadamente. 

Todos os seres humanos passam por isso, a diferença é que, quanto mais novos, mais forte será este círculo e mais difícil de sair dele.

3 – Por terem habilidades muito diferentes das nossas, o nosso principal impulso é achar que somos muito diferentes deles e agimos de duas formas básicas: ou tentamos fazer com que eles se ajustem a nós, podando suas habilidades ou nos afastamos e os deixamos lidar sozinhos com estas aptidões.

É muito comum falarmos ou ouvimos alguém falar coisas como: “esta criança é especial”, “esta criança é super inteligente” ou mesmo “por que você deixa o seu filho fazer isso? “não tem que ser desse jeito”.

Mas, o que contribuiu para isso? Muitas coisas, na verdade. Mas, citando as principais, temos a evolução tecnológica e sabemos que tudo vai continuar evoluindo de forma muito mais rápida do que de costume. Sabemos também, que essa evolução vai levar a uma mudança social ainda mais profunda e impactante – principalmente para as próximas gerações. 

Algumas profissões passarão por alterações significativas, as indústrias – fotográfica, cinegráfica e médica –  terão avanços inimagináveis, as tecnologias estarão tão palpáveis quanto um carro – ou um robô – e sabemos que muitas coisas já vêm sendo testadas. Sendo assim, como fazer? Como formar um jovem para um futuro que ainda não vemos? Como prepará-los para experiências que nem nós tivemos?  

A resposta para isso está em nós. São as nossas experiências – as experiências humanas – que nos tornam diferentes e mais fortes. É o nosso potencial criativo e nosso senso crítico que nos diferenciam e, acima disso, nossas habilidades socioemocionais para enfrentar o que nos é proposto. E, cada vez mais, isso nos será cobrado. 

Frente a esta mudança iminente, as escolas desempenham um papel muito importante na formação destes novos profissionais e na vida, em geral, pois só o conhecimento técnico não será a parte mais importante para o desenvolvimento em ambientes corporativos e sociais.  

Muitas escolas ao redor do mundo – diversas delas no Brasil –  já têm alterado o seu padrão de ensino para trazer à tona o melhor de cada estudante, não só no que diz respeito o desempenho técnico em disciplinas da grade curricular regular, mas também o desempenho em parâmetros comportamentais, cada vez mais exigidos socialmente – como autoconfiança, solução de problemas, comportamento comunal responsável e boa vivência em grupo.

E você, quais práticas têm seguido para desenvolver nos seus filhos as habilidades socioemocionais mais cobradas pelo mercado profissional do futuro?

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